O batalhão, formação táctica da cavalaria

Qualquer que fosse a doutrina táctica adoptada – e a que privilegiava o choque e o combate com espada era a dominante entre as cavalarias do exército português e espanhol, durante a Guerra da Restauração – a formação básica consistia no batalhão (termo de significado diferente e que não corresponde, por isso, à actual unidade composta por várias companhias). Por vezes era também designado por esquadrão, embora este termo fosse aplicado com mais propriedade às formações tácticas da infantaria.

Uma companhia podia bastar para formar um batalhão, ou seja, para se dispor no terreno formada a três fileiras de profundidade, à maneira sueca, ou a quatro ou mais, com uma frente de 20 elementos, por vezes até superior. Tudo dependia do número de efectivos e da disposição no terreno ordenada pelo comissário geral, tenente-general ou general que comandasse a força de cavalaria. Quando os efectivos de uma companhia não fossem suficientes, podiam ser reforçados com os de outra, de modo a dar consistência à formação. Em casos mais raros, mas documentados (como o da companhia do general da cavalaria Dinis de Melo de Castro em 1665), uma companhia numerosa, com mais de 100 efectivos, podia constituir dois batalhões.

Os soldados mais experientes e valorosos eram sempre escolhidos para as duas primeiras fileiras. A distância entre fileiras podia variar entre o comprimento de dois cavalos e um mínimo que quase compactava os animais das fileiras anteriores e posteriores (neste último caso, quando se tratava de receber imóvel e firme o choque provocado pela carga da cavalaria inimiga).

D. João de Mascarenhas, Conde de Sabugal, refere de sua lavra nos comentários à obra Maneio da Cavallaria (pgs. 15-15 v) que

(…) reparando na cavalaria com que nos defendemos, que sendo sempre menos que a de nossos inimigos, que não devemos fazer os corpos tão grossos, porque ficaremos diminutos na forma, sendo-o sempre na quantidade, e assim me parece que podemos regular os nossos batalhões ao número de 80 cavalos cada um, porque ainda que os dos castelhanos sejam mais (como eu vi este ano [1663]), contudo poucos passavam de 60, com que os nossos tiverem de menos na forma, terão de mais na resistência, e à forma da batalha sempre se pode acomodar a quantidade da cavalaria, e não será pior por mais unida, antes tenho para mim (segundo os nossos países) que será de mais fortaleza.

Os batalhões eram dispostos no terreno habitualmente em duas linhas, por vezes três, numa formação em xadrez. O intervalo lateral entre cada batalhão designava-se por claro. Serviam os claros para que um batalhão que viesse carregado pelo inimigo pudesse escapar e voltar a formar na retaguarda, ao mesmo tempo que a formação que o perseguia era contra-carregada por uma outra unidade da segunda linha.

Gravura: Modo de formar os batalhões numa disposição em xadrez – note-se que os intervalos entre batalhões (os claros) eram mais espaçosos do que o que aqui está representado. Desenho do autor.

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3 thoughts on “O batalhão, formação táctica da cavalaria

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