A vedoria geral sob o olhar de um estrangeiro

Nicolas Frémont d’Ablancourt foi enviado pelo marechal Henri de la Tour d’Auvergne, Monsieur de Turenne, à corte portuguesa, a fim de controlar os assuntos das forças francesas aqui presentes a partir dos finais de 1660. Convém recordar que o contingente francês comandado pelo Conde de Schomberg estava oficialmente em Portugal “contra a vontade” do rei Luís XIV, devido ao tratado de paz estabelecido em 1658 entre aquele monarca e Filipe IV (a Paz dos Pirenéus). Frémont D’Ablancourt deixou as suas memórias sobre o período final da Guerra da Restauração, as quais foram publicadas em 1701, em Amesterdão. São uma fonte preciosa para o estudo da época.

Em relação à vedoria geral do exército do Alentejo, D’Ablancourt refere que o vedor tinha sob o seu controlo uma quantidade de comissários, e estes têm o registo de todos os cavaleiros e infantes, listas onde cada um é designado pelo nome próprio, apelido, idade, parentesco, local de nascimento, altura e sinais [particulares], onde se marcam as ausências e se abate às suas pagas o tempo que estiveram fora; usa-se a mesma precaução para os cavalos, para além da descrição que se faz, corta-se-lhes o topo da orelha direita e marca-se-lhes [com um ferro em brasa] o número da companhia, mas todas estas precauções não impedem ainda uma quantidade de abusos.

Regressarei a este assunto como uma referência mais detalhada às listas.

Fonte: FRÉMONT D’ABLANCOURT, Nicolas, Mémoires De Monsieur D’Ablancourt Envoyé de la Magesté Trés-Chrétienne Louis XIV, en Portugal; Contenant L’Histoire de Portugal, Depuis le Traité des Pyrenées de 1659, jusqu’à 1668, Amsterdam, J. Louis De Lorme, 1701, pg. 197.

Imagem: O marechal Turenne na batalha das Dunas (1658), quadro de Charles-Philippe Larivière. Frémont D’Ablancourt era um diplomata muito próximo do marechal, sendo ambos protestantes (tal como era, aliás, o Conde de Schomberg) e personagens muito influentes nos bastidores da política francesa. Turenne foi responsável pelo envio das forças francesas para Portugal durante a década de 60 do século XVII.

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