Cavalaria da ordenança da província da Beira (1650)

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Em artigos anteriores sobre as categorias militares do exército português e os tipos de cavalaria, foi já referido o modo de constituição das unidades da ordenança. As companhias desta categoria de milícia compreendiam homens de várias localidades de uma comarca. Nas zonas mais atingidas pela guerra, junto à fronteira, cedo se constituíram companhias da ordenança, para complementar a defesa levada a cabo pelas tropas pagas. Em outras regiões, menos sujeitas às incursões de depredação, tardaram a ser formadas estas companhias.

Na Beira, por exemplo, os habitantes das localidades mais afastadas da raia foram durante algum tempo poupados ao serviço na cavalaria da ordenança. A partir da década de 50, em particular durante o governo de D. Rodrigo de Castro, futuro Conde de Mesquitela, a preocupação com a força montada foi crescendo, de modo que novas unidades foram surgindo. Assim, em 7 de Janeiro de 1650, havia em formação quatro novas companhias da ordenança, a saber:

– Companhia do capitão Gaspar de Seixas de Almeida. Tinha perto de 40 efectivos, com gente de Trancoso e seus termos.

– Companhia do capitão António Veloso do Amaral. Devia ter 50 cavalos, mas só alguns estavam então operacionais. Os soldados vinham das localidades de S. João da Pesqueira, Távora, Sendim, Trevões, Nagozelo, Vilarouco, Riodades, Paredes, Ranhados, Ervedosa, Valença, Penela, Lousa, Valongo, Castanheiro, Soutelo, Souto e Cedovim.

– Companhia do capitão Diogo Pereira de Figueiredo. Devia ter  50 cavalos, mas só tinha alguns operacionais. Formada nas vilas de Fonte Arcada, Pena Verde, Fornos, Penedono, Casais do Monte, Carapito, Algodres, Matança, Aguiar da Beira e Sernancelhe.

– Companhia do capitão Manuel de Andrade Freire. Tal como as outras, dos 50 cavalos, só alguns estavam em condições de operar. Incluía gente das vilas de Pinhel, Marialva, Moreira, Aneloso, Casteição, Numão, Longroiva, Muxagata, Vila Nova, Horta,  Touça, Castelo Mendo, Lamegal e Meda.

Um dos problemas que afectavam a capacidade operacional das unidades era a falta de selas. Em Fevereiro de 1650, D. Rodrigo de Castro queixava-se de não lhe terem sido ainda entregues as selas pedidas e prometidas havia já meio ano. Por outro lado, advertia que o serviço continuado com selas velhas acabava por destruir os cavalos. Apesar de todas as dificuldades, nesse mesmo ano D. Rodrigo de Castro levou a cabo algumas operações onde a cavalaria da ordenança participou em número superior ao da cavalaria paga, e com sucesso.

Fontes: ANTT, Conselho de Guerra, Consultas, 1650, maço 10, nº 16, 36 e 46; e Secretaria de Guerra, Livro 14º, fls. 78-78 v.

Imagem: Soldados pilhando, quadro de Pieter Post, década de 30 do século XVII.

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