Gaspar Pinto Pestana

Parrocel

Gaspar Pinto Pestana foi comissário geral da cavalaria do Alentejo durante três anos, entre 1641 e 1644. Nesse período, dada a pouca cavalaria existente e a limitada experiência militar do seu superior hierárquico, o general da cavalaria Francisco de Melo, Monteiro-Mor do Reino, era frequente recair em Gaspar Pinto a tarefa de formar e organizar em batalha a força de cavalaria. Gaspar Pinto Pestana teve também o título honorífico de coronel, para que pudesse ser equiparado aos comandantes dos regimentos de cavalaria estrangeiros (os franceses e o holandês) que se encontravam ao serviço da Coroa portuguesa nos primeiros anos da Guerra da Restauração. A sua carta patente, passada em 13 de Novembro de 1641, atesta a experiência adquirida durante a Guerra dos 30 Anos (texto vertido para português corrente):

D. João, etc, faço saber aos que esta minha carta patente virem, que por convir a meu serviço nomear pessoa de confiança, qualidade e experiência das coisas de guerra, para servir o cargo de comissário geral da cavalaria do exército da província de Alentejo, que está vago por morte de Francisco Rebelo de Almada, e concorrendo todas estas boas partes na do capitão de cavalos Gaspar Pinto, a quem tinha ordenado fosse no mesmo ofício servir as comarcas de Trás os Montes, por se haver ocupado há vinte e dois anos em guerra viva, assim em Itália como Alemanha, Palatinado, Boémia, Hungria e Saxónia, em que ocupou os postos de ajudante, tenente e capitão de cavalos couraças (…). (ANTT, Conselho de Guerra, Secretaria de Guerra, Registos, Lvº 2º (1640-1642), fls. 110-110 v)

As variadas fontes que referem as acções em que participou Gaspar Pinto Pestana deixam perceber que era um comandante competente, mas sem grande carisma. Após a batalha de Montijo, em 26 de Maio de 1644, foi alvo de um processo e perdeu o posto – tudo por causa do péssimo comportamento da cavalaria portuguesa nessa batalha. Morreu poucos anos depois. A sua viúva, D. Brites de Matos, casou com um outro oficial de cavalaria, o ajudante francês Carlos (Charles) de La Grizille, de quem teve um filho. Porém, a desditosa senhora enviuvou pela segunda vez em 1658, quando La Grizille faleceu em consequência de graves ferimentos recebidos durante o cerco de Badajoz.

Imagem: Joseph Parrocel, “Combate junto a um moinho”, segunda metade do séc. XVII.

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