A defesa da costa portuguesa em 1644 (4) – Fortes de Paço de Arcos e de São João das Maias

Dando continuidade à descrição da situação da defesa costeira portuguesa entre as barras de Setúbal e de Peniche, e tendo iniciado esta descrição pela barra do Tejo, seguindo o documento apresentado ao Conselho de Guerra em Agosto de 1644, cabe hoje a vez aos Fortes de Paço de Arcos (ou São Pedro de Paço de Arcos) e de São João das Maias.

O primeiro destes fortes já não existe. Tendo sido erguido em 1641, tal como o segundo acima referido, foi definitivamente destruído em 1975, para dar lugar aos novos edifícios da Escola Militar de Electromecânica. O Forte de São João das Maias ainda subsiste e localiza-se no moderno passeio marítimo de Oeiras, mas encontra-se no lamentável estado de degradação que a foto documenta.

Forte de Paço de Arcos

Há neste forte dez peças de artilharia de ferro de vários calibres, com seus reparos, cunhas e soleiras.

Dezasseis arcabuzes com dezasseis bandolas.

Quarenta e nove piques grandes e pequenos.

Cento e uma palanquetas de ferro, de seis e sete libras [palanqueta era um tipo de munição constituído por duas balas ligadas por uma haste de ferro – veja-se a este respeito, e para ilustração, um artigo já aqui publicado].

Setenta palanquetas de ferro de duas libras.

Trezentas balas rasas de ferro.

Mais cinquenta palanquetas de ferro.

Cem balas de cadeia.

Necessita este forte de Paço de Arcos de trinta soldados.

De dois meios-canhões de bronze com balas em quantidade, duzentas de seis libras; e duzentas de duas e quatro [libras]; e cento de oito [libras].

E de um martinete para encavalgar a artilharia.

Quatro colheres de artilharia.

Dez soquetes de toda a sorte.

Um botafogo de campanha.

Duas arrobas de cevo.

Dois sacatrapos e dois rascadores da artilharia.

Doze pés de cabra.

200 cartuchos de toda a sorte.

Doze peles para lanadas.

Seis hásteas de sobresselente.

Doze quintais de morrão.

Dezasseis quintais de pólvora.

Trinta e quatro mosquetes com suas forquilhas e frascos.

Oito quintais, uma arroba e vinte e quatro arrobas de balas de mosquete e arcabuz.


Forte de São João das Maias

Há neste forte cinco peças de artilharia de ferro com seus reparos, cunhas e soleiras.

Duas colheres de artilharia com dois soquetes e suas lanadas.

Quatro botafogos de campanha.

Duas arrobas de cevo.

Dois sacatrapos.

Duzentos cartuchos de pano sorteados.

Cinco arrobas de balas de mosquete e arcabuz.

Vinte e cinco piques velhos.

Necessita este forte das Maias de 20 soldados e dez artilheiros com um condestável.

De três colubrinas de alcance, balas para elas e para as demais peças de ferro em quantidade.

Seis pés de cabra e 24 espeques.

De uma alçaprima, e uma cavilha para ela.

De uma cabrilha para encavalgar a artilharia.

De doze peles para lanadas, e seis hastes para elas.

De doze arandelas e vinte sotroços de ferro.

De doze quintais de pólvora.

De seis quintais de morrão.

De trinta mosquetes e vinte chuços.

Imagem: O Forte de São João das Maias na actualidade. Fotografia de Adrião, reproduzida de acordo com a licença em vigor, a partir daqui.

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