A defesa da costa portuguesa em 1644 (5) – Forte de Santo António da Barra


Forte de Santo António da Barra

Há neste forte três canhões de bronze de 36 libras de bala. Uma colubrina de dezoito. Duas meias-colubrinas de dez. Todas estas peças são de bronze e estão encavalgadas com seus reparos novos.

Há três caixas velhas, e delas há uma só que pode servir pondo-se-lhe rodas novas, e a ferragem das outras poderá servir para outras novas de sobresselente.

Há para os três canhões 481 balas.

Para a colubrina 158 balas.

Para as duas [meias-]colubrinas 56 balas. É necessário quantidade de balas para estas duas peças.

Há mais 54 balas de 12 até 13 libras e 359 de seis até oito libras, que não servem para esta artilharia.

Para os três canhões há duas colheres. É necessária outra.

Para a colubrina há outra colher.

Para as duas [meias-]colubrinas há uma colher. É necessária outra.

Há sete soquetes com suas lanadas. São poucas.

Um martinete com seu fuso.

Uma escaleta com seu perno.

Dois banquinhos.

Três alçapremas. São necessárias mais.

Seis pés de cabra.

Quarenta espeques.

Oitenta e dois cartuchos para os dois canhões. São necessários mais.

Vinte e dois cartuchos para a colubrina. São necessários mais.

Quarente e sete cartuchos para as duas meias-colubrinas. São necessários mais.

Dezasseis pães de chumbo grandes.

Doze bombas muito velhas.

Sete sotroços.

Armas

Três esmerilhões com suas bandeirolas.

Vinte e cinco mosquetes de pinçote [suporte para encaixar na muralha]. São necessárias bandeirolas para eles, que as não têm.

Vinte e um mosquetes biscaínhos aparelhados.

45 arcabuzes com vinte e seis frascos. São necessárias bandeirolas para os mais.

Há mais nove frascos biscaínhos.

Há em três barris quantidade de balas de mosquete e arcabuz.

Há sessenta formas para se fazerem balas de mosquete e arcabuz.

Vinte e três piques.

Catorze chuços com cabos e sem eles.

Três enxadas. São poucas.

Dezoito picões. Sessenta e oito picaretas. Cento e cinquenta e quatro pás de ferro. Para todas estas coisas são necessários cabos, que os não há.

Morrão e pólvora

De morrão haverá cinco quintais, pouco mais ou menos, e muito antigos e algum podre da humidade. É necessário mais.

Mantimentos que se meteram em Julho 1643

50 quintais de biscoito.

25 quintais de arroz.

30 quintais de carne de porco.

Seis cântaros de azeite.

Seis alqueires de ameixas passadas.

Seis de lentilhas.

Duas arrobas de açúcar.

Oito pipas de vinho.

Há quantidade de lenha de pinho.

De legumes sorteados, feijões, chicharros, favas, grãos e lentilhas poderá haver quatro moios e meio, pouco mais ou menos, e estes estão maltratados, por haver três anos que se meteram.

Necessita este forte de Santo António de uma cancela na primeira porta, por ser podre a que tem e não ter ferrolho, e a porta levadiça da porta da ponte está no mesmo estado. O rastilho necessita também de conserto. E é necessário, para serviço da artilharia, de ferramentas, como é machado, enxó e serra, porque as não há.

Fonte: Veja-se a 1ª parte desta série.

Imagem: “Ciudad de Lisboa, 1661, a 4 de febrero. Verdadera Relación del porto de Lisboa y sus fortificaciones modernas que aún non están acabadas”. Mapa das defesas costeiras da barra de Lisboa e de Setúbal, elaborado por um espião ao serviço de Filipe IV de Espanha, e publicado em La memoria ausente. Cartografia de España y Portugal en el Archivo Militar de Estocolmo. Siglos XVII y XVIII.

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