Périplo por um campo de batalha – Montes Claros, 17 de Junho de 1665 (7ª parte)

(O)Foto O (acima) – Na retaguarda do dispositivo português erguia-se uma outra elevação, muito semelhante à que foi ocupada, mais adiante, pelos terços e pela artilharia do exército do Marquês de Marialva e do Conde de Schomberg. Foi daqui que os dois generais, ainda com o exército português em marcha, descortinaram a chegada das primeiras tropas do Marquês de Caracena ao local onde se travaria a batalha.

Chegado o Conde de Schomberg à eminência que ocupava o Conde de São João e o general da artilharia, observaram que os batalhões da cavalaria inimiga sucessivamente vinham saindo à campanha, havendo estado cobertos com a serra da Vigaira, e se formavam com tanta pressa, que manifestamente descobriam a deliberação de pelejar, sendo o Conde de Schomberg o primeiro que teve por infalível este discurso. (Ericeira, 1946, IV, pg. 293)

PFoto P (acima) – A planície onde chocaram as cavalarias dos dois exércitos, sobre a ala direita do exército português, olhando na direcção do dispositivo espanhol.

Todas as fotos devem ser referenciadas pelas letras, usando o mapa apresentado na primeira parte desta série de artigos.

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Périplo por um campo de batalha – Montes Claros, 17 de Junho de 1665 (6ª parte)

(L)Foto L (acima) – Ala esquerda do dispositivo espanhol. olhando para o flanco esquerdo. Estas posições eram ocupadas pela cavalaria. Realce-se a natureza plana do terreno, propício à manobra da cavalaria.

(M)Foto M (acima) – Zona de progressão da infantaria espanhola, olhando na direcção das linhas portuguesas. Terá sido nas imediações deste local que chocaram dois regimentos, um suíço e outro inglês, num combate renhido a golpe de pique, mas no qual também chegaram a ser arremessadas as pedras caídas dos muros que por ali havia. O regimento suíço, comandado pelo coronel Clofs, estava ao serviço da coroa espanhola. O inglês, sob o comando efectivo do tenente-coronel William Sheldon, era o regimento nominalmente comandado pelo próprio Conde de Schomberg. O tenente-coronel Sheldon perdeu a vida neste combate, tendo o seu regimento sofrido entre 40 e 50 mortos e cerca de 100 feridos. Entre os mortos contavam-se os capitães Jones, Heatfield e Rust e o tenente Boone, e entre os feridos os capitães Stansby, Roch, Turner e Langley, os tenentes Newsome, Sandys e Sherwood e os alferes (ensign, em inglês) Turner, Porridge e Emerson e também o cirurgião John Leadger. Conseguiram capturar 4 bandeiras ao inimigo (Relacion Verdadera…, pgs. 37-38, com cruzamento de referências para os nomes em Childs, John, The Army of Charles II, London, Routledge & Kegan Paul, 1976, appendix B, pgs. 238-239; contudo, Childs não fornece uma relação completa dos oficiais que serviram nos regimentos ingleses de 1662-68, faltando vários nomes que surgem em documentos portugueses).

V(N) reduzFoto N (acima) – vista a partir da primeira linha do dispositivo português, sobre a ala direita, onde estava disposta a maior parte da cavalaria e também dois terços de infantaria. É quase certo que os muros que se vêem sobre a direita sejam os que serviram de abrigo a duas peças de artilharia ligeira e a um destacamento de 100 mosqueteiros, adiantados para essa posição por ordem do general da artilharia D. Luís de Meneses antes do início da batalha. O destacamento era comandado pelo tenente-general da artilharia Marco Raposo Figueira e foi desalojado das posições pelos ferozes ataques do inimigo, depois de oferecer muita resistência. Os canhões assim perdidos viriam a ser recapturados pelos portugueses mais tarde, num contra-ataque comandado pelo sargento-mor de batalha Diogo Gomes de Figueiredo (Relacion Verdadera…, pg. 35).

Todas as fotos devem ser referenciadas pelas letras, usando o mapa apresentado na primeira parte desta série de artigos.