Combate de Arronches, 8 de Novembro de 1653 – parte 2.

Continuando a transcrição da carta do Conde de Soure, reproduzida em M. L. de Almeida e C. Pegado (pub.), Livro 2.º do registo das Cartas dos Governadores das Armas (1653-1657), Coimbra, Biblioteca da Universidade, 1940:

Com este aviso mandei os que me pareceram necessários ao general da cavalaria, que prosseguindo o seu caminho chegou junto a Arronches, de onde tirou cem soldados infantes, dos da ordenança e presídio daquela vila, com os capitães dela Baltasar Pereira de Castelo Branco e João da Ponte e o ajudante Álvaro Fernandes. E pondo-se em batalha a nossa gente, que constava de novecentos e cinquenta cavalos, fez onze esquadrões: seis de vanguarda, governada pelo general e pelos dois comissários, Duquesne e Rozier, e pelos capitães D. Pedro de Lencastre, Henrique de Figueiredo, D. Diogo de Almeida, Francisco Pacheco [de Mascarenhas – companhia onde servia o soldado e memorialista Mateus Rodrigues, que ficaria gravemente ferido no combate], João da Silva [de Sousa], João Ribeiro do Couto, Miguel Barbosa, Diogo de Mendonça, D. João da Silva, António Fernandes Marques, D. Fernando da Silva, D. Pedro de Almeida. E os cinco da retaguarda encarregou ao tenente-general Tamericurt e aos capitães Jerónimo Borges, João Bocarro [Quaresma], Manuel Peixoto, António Coelho de Góis, Diogo de Mesquita, Fernão de Sousa e o capitão Auguste Stéphane de Castille.

E nesta forma foi buscar o inimigo que o estava esperando com mil e trezentos cavalos (segundo dizem os castelhanos) na mesma forma com catorze batalhões muito grossos. A sua vanguarda tinha o Conde de Amarante e a retaguarda Ibarra, tenentes-generais da cavalaria.

Escolheram sítio entre três ribeiros ou sanjas profundas, duas pelos lados e uma pela frente, esperando que nesta passagem se desordenasse a nossa gente. Reconhecendo o perigo, fez alto o general da nossa cavalaria sobre a sanja. E logo se travou escaramuça de uma e outra parte [ou seja, trocaram-se tiros de carabina à distância], até que chegando os nossos cem mosqueteiros repartidos em dois troços sobre o corno direito e esquerdo do inimigo, o apertaram de maneira que o obrigaram a buscar-nos, o que fez com toda a resolução e valor. A nossa gente os esperou cerrados e com grande firmeza. Chegando-se a juntar uns com os outros, se feriram tão obstinadamente que por mais de um quarto de hora se não conheceu vantagem, até que a nossa constância superou o valor contrário. E com grande ruína foi rota a vanguarda do inimigo e seguida até encontrar a sua reserva, que obrigou os nossos esquadrões a se retirarem. E passando pelos claros da nossa retaguarda, se formaram logo de novo detrás dela com maravilhosa ordem e brevidade, e logo investiu a nossa retaguarda com todo o grosso do inimigo com tal esforço e valor que o puseram em fugida, seguindo-o légua e meia até que a noite impediu o alcance.

(continua)

Imagem: Combate de Arronches; pormenor do painel de azulejos correspondente, Sala das Batalhas, Palácio dos Marqueses de Fronteira e Alorna. Note-se a presença dos mosqueteiros da ordenança de Arronches.

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