Lisboa numa gravura de 1642

cc-252-v_0001_1_p24-C-R0072 (Lisbona per praeclara, Hoeye, Rombout van den,  1622-1671) Portugalliae, 1642)

Gravura de Rombout van den Hoeye, c. 1642. BNL, Iconografia, CC252V.

Anúncios

Emboscadas e estratagemas na Guerra da Restauração – Holandeses em Agosto de 1642 (parte 2)

Continuando com o episódio referido na primeira parte, apresento agora a versão do capitão Luís Marinho de Azevedo acerca do mesmo incidente. Embora o oficial fosse mais preciso do que o cónego Aires Varela quanto à descrição dos acontecimentos militares, acerca dos quais tinha um conhecimento mais aprofundado, é difícil estabelecer com exactidão qual das versões, neste caso, se aproxima mais da realidade, uma vez que o episódio terá sido contado por terceiros.

Estavam aquarteladas na vila de Campo Maior algumas companhias de holandeses que desejavam, a uso de Flandres, entrar em quadrilhas nas terras do inimigo a fazer rapinas de que se aproveitassem, para o que se lhes não dava permissão, pelas ruins consequências que se podiam seguir deste exercício; mas havendo-se com impaciência nesta proibição, se temeu que eles se dispensassem nela, como algumas vezes costumaram. E para obviar estes descréditos, se lhes permitiu que vinte, com suas carabinas, fizessem o que tanto desejavam, e em treze do mês de Agosto se meteram em Castela de noite, e chegaram ao anoitecer ao caminho que vai de Lobón para Mérida, onde encontraram um alguazil [oficial de justiça] e um carcereiro e outros homens com três cargas de courama. E assaltando-os de repente, tomaram a todos prisioneiros, e com cargas e cavalgaduras os trouxeram a Portugal. Cevados os holandeses com esta presa, fizeram outras de importância, uma das quais foi tomarem prisioneiro um noivo com todos os que o acompanhavam, passando de um lugar a outro a desposar-se. E continuando este exercício, se juntaram vinte e cinco, e em uns matos perto do Montijo encontraram algumas cargas de panos que vinham de uma feira, acompanhadas de muita gente. E vendo que era desigual o partido para a cometer, se meteu no mato a metade dos holandeses e os mais saíram ao caminho e assaltaram os passageiros; os quais, querendo defender-se, tocaram a bastarda os holandeses emboscados e começaram a sair, dando-lhes a entender que eram muitos, com que todos os castelhanos se entregaram, e os despiram e lhe tomaram as cargas, que seis deles trouxeram a Campo Maior. Ficaram os dezanove continuando estes saltos, e tendo Dom João de Garay notícia do que passava, e divididas sentinelas para o avisarem, mandou algumas tropas de cavalaria a bater o mato em que estavam embrenhados. E vendo que não tinham remédio se entregaram, entendendo que lhes dessem bom quartel. Mas sendo trazidos a Badajoz, se lhe não concedeu, e enforcaram todos dezanove juntos em uma forca triangular, com que escramentaram os de Campo Maior para não fazerem mais rapinas.

Fonte: Luís Marinho de Azevedo, Commentarios dos valerosos feitos, que os portuguezes obraram em defensa de seu Rey, & patria na guerra de Alentejo que continuava o Capitaõ Luis Marinho d’Azevedo, Lisboa, na officina de Lourenço de Anveres, 1644, pgs. 253-254.

Imagem: Hendrick de Meijer, “Cerco e captura de Hulst”, óleo, 1645.

Emboscadas e estratagemas na Guerra da Restauração – Holandeses em Agosto de 1642 (parte 1)

Os militares holandeses que vieram para Portugal, contratados como mercenários, em Setembro de 1641, eram experientes veteranos da Guerra dos 30 Anos. Trouxeram consigo expedientes que, pela sua curiosidade, engenho e diferença de procedimentos em relação ao que era habitual ser posto em prática nas escaramuças na província do Alentejo, não escaparam aos cronistas e propagandistas da época. O caso que aqui vai ser trazido foi registado, com alguma diferença de pormenores, pelo cónego elvense Aires Varela e pelo capitão de infantaria e propagandista Luís Marinho de Azevedo. Sem mais comentários, passo a transcrever a versão de Aires Varela do sucedido em Agosto de 1642.

Os holandeses que assistiam nesta cidade [Elvas] houveram licença de D. João da Costa, que já de volta de Lisboa estava nela, para fazer entradas na terra do inimigo: oito holandeses se arriscavam com grande valor e maior indústria; saiam pela tarde e se faziam à volta de campo Maior, e como era noite, guiados pelas estrelas se emboscavam na terra do inimigo divididos, e um vigiava os caminhos, e segundo a gente que passava assim se resolvia. Levavam três clarins de que se valiam com grande indústria, porque sentindo-se apertados, tocando este instrumento em diversas partes entendia o inimigo que eram outras tantas tropas, e porque reparava fazendo altos, se punham os holandeses em cobro. Com esta indústria fizeram algumas pilhagens, em que traziam um e dois castelhanos, que entregavam pelo quinto, porque da revolta da presa não davam nada [o quinto de todas as pilhagens era obrigatoriamente entregue à Coroa – isto não se aplicava a prisioneiros de guerra, pelo que Aires Varela provavelmente ironiza aqui].

Tiveram notícia de uma feira, que se faz sobre o rio Tejo junto às barcas de Alconete, na ermida de Nossa Senhora da Alta Gracia, passaram duas léguas além de Badajoz esperar os castelhanos que dela vinham, e porque aquela terra é capina, perto do caminho fizeram covas em que se meteram, e cobriram as cabeças com mato, vigiavam tudo.

Passaram sete castelhanos, levantaram-se os holandeses tão de repente que ficaram atemorizados e sem poder resistir, levando armas com que o fazer. Os holandeses roubaram todos e trouxeram para quinto um alcaide do cárcere de Badajoz, que chamam João Alconero, e um tendeiro, que tem um filho médico naquela cidade.

Por muitas vezes continuaram este exercício com bom sucesso, o castelhano teve notícia do modo e por fim os veio cercar. Os holandeses se puseram em defesa como valentes soldados, os castelhanos lhes prometeram bom quartel [ou seja, que aceitavam a rendição, fazendo-os prisioneiros], que lhe não deram, antes depois de rendidos com muita crueldade os mataram.

Fonte: Aires Varela, Sucessos que ouve nas fronteiras de Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguella, o segundo anno da Recuperação de Portugal que começou em 1º de Dezembro de 1641 e fez fim em o ultimo de Novembro de 1642, Elvas, Typografia Progresso de António José Torres de Carvalho, 1906, pp. 92-93.

Imagem: “Militar holandês”, óleo de Joost Cornelisz, séc. XVII.

Uma escaramuça em terras de Riba Coa, 1642 – por Juan Antonio Caro del Corral

Enquanto os afazeres profissionais não me deixam actualizar o blogue com a regularidade desejada, aqui vos deixo mais uma interessante colaboração de Juan Antonio Caro del Corral – originalmente um comentário a esta entrada, mas que merece o devido destaque em artigo próprio. Os meus agradecimentos ao Juan Antonio, especialista na investigação histórico-militar da fronteira da Beira. Em breve darei mais um contributo sobre esta fronteira, com a colaboração do estimado leitor JCPort, que teve a amabilidade de me endossar alguns documentos, e a quem aproveito para agradecer.

UNA ESCARAMUZA EN TIERRAS DEL RIBACOA

1642 fue un año muy pródigo en sucesos militares. Salvo en algunas ocasiones puntuales, que obligaron a que el número de tropa reclutada alcanzase notabilidad, la mayor parte de los acontecimientos no fueron más que pequeñas incursiones enmarcadas en la denominada “guerra de frontera”, dónde el pillaje primaba sobre cualquier otro objetivo. Así, las pretensiones no eran conquistar pueblos y aldeas, sino que lo verdaderamente interesante era obtener un cuantioso botín, el cual se repartiría posteriormente entre todos los implicados en el ataque, atendiendo, como es lógico, a su categoría dentro del estamento militar.

Estas acciones, llamadas unas veces “de course”, en otras “escaramuzas”, o simplemente “de castigo”, al desarrollarse con frecuencia, producían un doble efecto en quienes más directamente las sufrían: los vecinos de los lugares atacados.

Por una parte éstos veían mermadas sus pertenencias, que eran robadas e incendiadas por los agresores; y en segundo lugar, la moral también decaía considerablemente, pues apenas había tiempo de recuperación entre un ataque y el siguiente. En definitiva, consecuencias físicas y psicológicas.

Un claro ejemplo de estas incursiones y sus resultados negativos,  fue la realizada sobre Villanueva del Fresno en el citado 1642, cuyo desarrollo ha sido debidamente tratado en uno de los capítulos de este blog histórico-militar. Pero, como dijerá párrafos atrás, ése no fue el único acontecimiento de aquel año.

Bajo las pautas que caracterizaban a las escaramuzas y que ya han quedado expuestas anteriormente, poco después del suceso de Villanueva, tuvo lugar un hecho que causó gran conmoción al ser debidamente publicitado tras su conclusión. Tuvo lugar en tierras de la Beira Alta, concretamente en la comarca llamada popularmente Ribacoa.
Limitaba esta zona con la frontera mirobrigense, gobernada por el Excelentísimo señor Duque de Alba. Este general llevaba ya un tiempo meditando una entrada en campo enemigo, sobre todo porqué, en los meses precedentes, los lugares de su jurisdicción más próximos a la Raya divisoria (Aldea del Obispo, Fuentes de Oñoro, La Fregeneda….)  habían sido objeto de duras acciones represivas por parte de los portugueses de la mentada región beirense.
Así pues, era opinión del Duque lanzar un ataque en venganza del daño recibido.

Combinando sus movimientos con los realizados por otras tropas de la frontera pacense, que a su vez tenían intención de atacar en la frontera sur al objeto de dividir a las posibles fuerzas defensoras lusitanas y facilitar con ello el éxito del de Alba, mándo éste reunir un potente ejército poniendolo a las órdenes de sus dos mejores oficiales: Juan Suárez de Alarcón, más conocido por su noble título de Conde de Torresvedras, y Alvaro de Vivero, mano derecha principal del Duque.

Así, con 1200 infantes y 500 caballos, más otras gentes procedentes de Valladolid y Salamanca, se pusieron en camino ambos comandantes el día 17 de octubre de 1642.

Cruzaron la frontera por los vados situados junto a la localidad de San Felices de los Gallegos, encontrándose frente a su posición una vasta campiña cuajada de alquerias, aldeas y villas que, desconociendo el peligro que sobre ellas se cernía, tenían sus campos, ganados y haciendas totalmente descuidadas. Sin duda un inmejorable botín para los castellanos.

Comenzo la escaramuza sin hallar oposición. Dividióse al efecto en dos grupos el ejército invasor. Uno atacó la banda derecha y el restante la izquierda.

Escarigo, lugar de apenas 200 vecinos y con sólo un retén de 60 soldados, fue el primero en conocer la rapiña de los hombres comandados por el Marqués de Creche, comisario general de la caballería castellana. Del incendio se salvó unicamente la iglesia.

Siguieron la estela de Escarigo las villas de Vermiosa, Almofala, Colmeal y Torre dos Frades. En esta última hicieron noche para descansar y reponer fuerzas la gente de Torresvedras y Vivero.

A la mañana siguiente, 18 de octubre, continuó la cabalgada saqueándose el poblado llamado Mata de Lobos, dónde dieron muerte a ocho vecinos que huían cargados de ropa, pan, vino, trigo y otros enseres.

Para entonces los únicos que se habían atrevido a detener la invasión fueron unos jinetes procedentes de la plaza amurallada de Castel Rodrigo, aunque no tuvieron fortuna en su intento, teniendo que retirarse al galope.

El ejército castellano, pese a todo, no se detuvo, y se presentó al mediodía ante las puertas de Escalhao, sin equivoco la población más importante y rica de cuantas se habían hallado en su avance.

Toda la vecindad (más de 600 personas), ante el aviso de que llegaba el invasor, estaba recogida en la iglesia, convertida en una auténtica fortaleza. Fue responsable de la defensa de la misma el sargento Joao da Silva Freio, al mando de 35 soldados.

Soportaron el asedio castellano muchas horas; incluso acabaron con la vida de varios militares. Cuenta la tradicción escalonense que un hombre del lugar, de nombre Janeirinho, armado de valor y coraje, enfrentándose a un capitán que pretendía entrar en el reducto religioso, logró acabar con la vida del agresor al tiempo que gritaba enardecido”… Viva o Janeiro com a sua porra…”.

Leyendas aparte, lo cierto, según los documentos conservados, es que los castellanos, viendo la imposibilidad de tomar la iglesia y faltándoles munición y víveres para seguir su correría, optaron por finalizarla, regresando aquella misma tarde a sus cuarteles de Ciudad Rodrigo.

Consigo llevaron muchas cabezas de ganado, gran bulto de ropa, utensilios varios y otras menudencias que la soldada obtuvo en los saqueos de los pueblos atacados.

Habían vengado de esta forma las afrentas recibidas, satisfaciendo los planes del Duque de Alba. Objetivo cumplido.
Así fue y así terminó una de las muchas acciones de guerra que tuvieron como escenario a la frontera extremeña-portuguesa. Era sólo el segundo año de conflicto, y quedaban aun por cumplirse veintiséis campañas más.

Pero eso es otra historia.

JUAN ANTONIO CARO DEL CORRAL

Imagem: “Escaramuça de cavalaria”, por Pieter Meulener.

A incursão a Villanueva del Fresno, 17 de Setembro de 1642

Segundo o soldado de cavalos Mateus Rodrigues, a incursão a Villanueva del Fresno em Setembro de 1642 foi o único sucesso digno de menção comandado pelo general da cavalaria do Alentejo, o Monteiro-Mor D. Francisco de Melo. Esta é a opinião não filtrada pela narrativa propagandística desses primeiros tempos da Guerra da Restauração, emitida por um soldado que participou em muitas acções. Percorrendo outras fontes, encontramos versões mais simpáticas para o general, não só em relações avulsas, como nas mais extensas narrativas de Aires Varela ou Luís Marinho de Azevedo.

Em todo o caso, a incursão às terras de Villanueva del Fresno foi apenas uma das muitas pequenas operações da guerra de fronteira. No caso, destinava~se a castigar a cavalaria daquela localidade, cujo poder atemorizava os moradores do termo de Mourão, pois era ali tão forte que pilhava e se passeava à vontade pelos campos. Os efectivos eram conhecidos dos portugueses: um soldado de cavalos castelhano tinha desertado na sequência de uma briga que tivera com o seu tenente, a quem ferira gravemente, e temendo ser enforcado, fugira para Mourão; interrogado, informara D. Francisco de Melo que a força de cavalaria que havia em Villanueva del Fresno era composta por três companhias pagas e duas milicianas, estas com cerca de 80 cavalos.

Saiu o general de Olivença no dia 16 com 300 ou 400 cavalos (os números apresentados por Aires Varela e Luís Marinho de Azevedo são diferentes), fazendo as vezes de comissário geral o coronel francês François de Huybert de Chantereine (o comissário geral Gaspar Pinto Pestana ficara em Olivença, bastante doente). Conforme refere Mateus Rodrigues, a cavalaria portuguesa tomou um caminho mais longo para não ser detectada, cerca de nove léguas entre Olivença e Mourão, e mais duas dali a Villanueva del Fresno. Na vanguarda ia a companhia do comissário Pinto Pestana, comandada pelo seu tenente Manuel da Costa Monteiro, e a retaguarda cabia à companhia do tenente-general D. Rodrigo de Castro (também ausente da operação), comandada pelo tenente António Machado da França. Pelo caminho, por alturas de Monsaraz, juntou-se o coronel francês Montjouant com o seu regimento (provavelmente, apenas duas companhias). A cavalaria chegou de noite a Mourão e aí descansou.

No dia seguinte, pelas dez horas da manhã, estavam nas proximidades de Villanueva del Fresno. A partir daqui, os pormenores das narrativas de Aires Varela, Marinho de Azevedo e Mateus Rodrigues diferem um pouco, mas não a substância do sucedido, que é no geral coincidente. Segundo Mateus Rodrigues, na madrugada desse dia D. Francisco de Melo escolhera 40 cavaleiros experientes de todas as companhias e entregara o comando desta força ao seu tenente, Francisco Leote (um oficial de grande bravura que iria ascender na carreira militar ao longo da guerra; morreu em Maio de 1655, sendo então tenente de mestre de campo general). O objectivo era emboscar-se num cabeço redondo, de onde se avistava Villanueva del Fresno, de modo a vigiar os movimentos da cavalaria inimiga. De manhã, quando o grosso da força portuguesa tivesse chegado ao cabeço, Francisco Leote e os seus homens deviam ir provocar o inimigo até junto das trincheiras, de modo que a sua cavalaria saísse da localidade e fosse atacada pela restante força portuguesa emboscada. Já Aires Varela refere que o general lançou quinze cavaleiros dos naturais de Mourão, para que a mudança do traje não fizesse reparar o inimigo, e lhes ordenou juntassem o gado, que sem receio pastava por aqueles vales, o que eles fizeram com diligência. Por seu lado, Marinho de Azevedo refere que foram enviados apenas oito cavaleiros tocar arma (ou seja, dar o alarme com disparos para o ar), de forma a espicaçar o inimigo, conforme tinha sido sugerido pelo desertor e informador.

Qualquer que tivesse sido o processo (ainda que Mateus Rodrigues mereça mais crédito, pelo pormenor descrito e pelo facto de ter participado na operação), uma força de cavalaria de Villanueva, comandada por D. Garcia Navarrete, saiu ao encontro dos portugueses por uma das portas da vila, precisamente chamada “porta de Mourão”. Eram somente 40 cavalos, mas um soldado natural de Mourão, que se encontrava de vigia num outeiro, precipitadamente  tocou arma e soltou o alarme de que a cavalaria portuguesa enviada para junto da trincheira estava em risco de ser cortada do resto da força. D. Francisco de Melo revelou então a emboscada e saiu ao encontro do inimigo. Dos 40 cavaleiros, sete fugiram e os restantes foram mortos (segundo Varela), ou dezassete foram mortos e os restantes fugiram (conforme a narrativa mais plausível de Azevedo). Em todo o caso, oito foram capturados, incluindo D. Garcia. A este número acrescenta Mateus Rodrigues mais de 60 paisanos que acorreram a ajudar a sua cavalaria, mas que acabaram cercados “como atuns” e foram trazidos para Mourão. As restantes forças refugiaram-se atrás das muralhas de Villanueva del Fresno e limitaram-se a usar a artilharia com grande prontidão, mas pouca pontaria.

A operação terminou da melhor maneira para a cavalaria comandada pelo Monteiro-Mor, que pôde pilhar à vontade o gado dos campos em redor da vila, não obstante o fogo vivo que cinco peças de artilharia fizeram sobre os portugueses. Uma bala de 9 libras caiu bem perto de D. Francisco de Melo e foi levada, como recordação, para Olivença. Mateus Rodrigues, a quem o general não inspirava muita confiança como comandante, refere – com a irreverência frequentemente encontrada nas suas memórias – que este sucesso foi alcançado porque o general da cavalaria não encontrou grande oposição.

Bibliografia:

AZEVEDO, Luís Marinho de – Commentarios dos valerosos feitos, que os portuguezes obraram em defensa de seu Rey, & patria na guerra de Alentejo que continuava o Capitaõ Luis Marinho d’Azevedo, Lisboa, na officina de Lourenço de Anveres, 1644, pgs. 256-258.

VARELA, Aires – Sucessos que ouve [sic] nas fronteiras de Elvas, Olivença, Campo Maior e Ouguella, o segundo anno da Recuperação de Portugal, que começou em 1º de Dezembro de 1641 e fez fim em o ultimo de Novembro de 1642, Elvas, Typografia Progresso de António José Torres de Carvalho, 1906, pgs. 95-97.

Manuscrito de Matheus Roiz, transcrição do códice 3062 [Campanha do Alentejo (1641-1654)] da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Lisboa, Arquivo Histórico Militar, 1952 (pgs. 39-42).

Imagem: A entrada nos campos de Villanueva del Fresno. Gravura inclusa na obra de Aires Varela acima referida. De notar os pormenores assinalados na própria gravura e identificados com letras: A, o cabeço redondo onde se emboscou a cavalaria de D. Francisco de Melo; B, o espia João Gonçalves; C, o general da cavalaria; D, a igreja maior; E, a cadeia da vila; F, a casa de D. Garcia Navarrete; G, os corredores portugueses (os cavaleiros que foram destacados para incitarem a saída da cavalaria de Villanueva; alguns são representados com varas, destinadas a conduzir o gado); H, as tropas do inimigo saindo da vila; I, o grosso da cavalaria emboscada; L, a vila de Mourão, ao longe.