Artilharia (4) – Peças e munições existentes em Campo Maior em 1659

Artilharia

Meios canhões de 24 [libras] – 8 ; Terços de canhão de 16 [libras] – 3; Quartos de canhão – 3; Meias colubrinas de 12 [libras] – 2; Meia colubrina de 10 [libras] – 1; Sagres [sacres] de 7 libras – 3; Peças de ferro de 7 libras – 3; Peças de ferro de 4 libras – 6; Peça de cavalaria de bronze – 1; Trabuco que tem de boca 85 libras – 1

Balas de artilharia

De 24 [libras] – 4.241; de 16 [libras] – 1.000; de 12 [libras] – 654; de 10 [libras] – 1.972; de 7 [libras] – 2.832; de 6 [libras] – 400; de 4 [libras] – 875

É de notar, nesta relação, a designação de terços de canhão e de quartos de canhão para as peças de 16 e de 12 libras, respectivamente, havendo também meias colubrinas de 12 e de 10 libras. As peças de ferro, mais raras, mais pesadas e menos eficazes do que as de bronze, aparecem também no rol.

Fonte: Rellação da Artilharia e Armas e muniçoens que se acharão na Praça de Campo Mayor feita pello Comissário geral da Artilharia Manuel de Villanoua em quinze de Setembro de 659, relação anexa à consulta de 22 de Janeiro de 1661, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Conselho de Guerra, Consultas, 1661, maço 21.

Imagens: Em cima, planta da fortificação de Campo Maior (década de 1650), da autoria do engenheiro militar francês Nicolau de Langres, in Desenhos e Plantas de todas as praças do Reyno de Portugal pelo Tenente General Nicolao de Langres Francez, que servio na guerra da Acclamação. Biblioteca Nacional, Reservados, Cód. 7445 (microfime: F2359). Em baixo, preparação de peças de campanha; trata-se de peças ligeiras, que disparavam balas de 3 a 7 libras. Reconstituição histórica da Guerra Civil Inglesa, Kelmarsh Hall, 2007. Foto do autor.

Artilharia (1) – uma pequena introdução

Para facilitar o nosso entendimento e com a ressalva de que esta sistematização não coincide na totalidade com qualquer distinção oficial usada na época, poderemos agrupar a artilharia em três categorias:

a) Artilharia de campanha, composta por peças de grande e médio porte e variados calibres. Era móvel, sendo as peças assentes em reparos dotados de rodas. Tirada por juntas de bois, mulas ou, mais raramente, cavalos. Exemplos deste tipo: canhões, meios canhões, colubrinas, sacres.

b) Artilharia ligeira, composta por peças mais leves, de calibres variados. O falconete é um exemplo deste tipo. Assente em reparos com rodas, o seu peso não exigia o emprego de muitas bestas de tiro. Algumas peças podiam ser deslocadas pela força de braços de um ou mais homens.

c) Artilharia de cerco. Peças de grosso calibre destinadas ao tiro curvo de projécteis explosivos e incendiários, regulados por fusos, como morteiros e trabucos. Eram transportadas em carros ou carretas, pois os seus reparos não estavam dotados de rodas.

Embora a variedade de calibres e de designações em uso na época seja impeditiva de uma sistematização coerente, uma passagem da obra de Philip Haythornthwaite sobre a Guerra civil Inglesa (The English Civil War 1642-1651. An Illustrated Military History, London, Brockhampton Press, 1994, pg. 53) dá-nos uma ideia dos calibres, peso das peças e dos respectivos projécteis:

Peça

Calibre

Peso da peça

(em quilos)

Peso da munição

(em libras e quilos)

Falconete

Sacre

Meia colubrina

Colubrina

Meio canhão

Canhão

51 mm

89 mm

114 mm

127 mm

152 mm

178 mm

95

1.134

1.633

1.814

2.722

3.175

1¼ lb/0,6 kg

5 ¼ lb/2,4 kg

9 lb/4,1 kg

15 lb/6,8 kg

27 lb/12,3 kg

47 lb/21,3 kg

Estes valores não devem ser tidos como absolutos, dadas as variações dentro do mesmo tipo de peça. Nas fontes portuguesas, para além das designações das peças, surgem por vezes as referências ao peso do projéctil que disparavam (em libras). O assunto será retomado num futuro artigo, no qual será tratado o tipo de munição, a cadência de tiro e o efeito da artilharia.

Imagem: Peça de artilharia ligeira. Reconstituição histórica, Old Sarum. Foto do autor.