Termos militares do século XVII (2) – a cavalaria

Arcabuzeiro a cavalo – Designação do militar que integrava uma companhia de cavalos arcabuzeiros. A designação remonta ao século XVI, mas durante a Guerra da Restauração o arcabuzeiro a cavalo estava armado de carabina (além de um par de pistolas e espada) e já não com o arcabuz de mecha do século anterior.

Banda – Faixa usada à cintura ou a tiracolo, cuja cor identificava o exército ao qual pertencia o militar.

Bandola – Correia de couro à qual se prendia a carabina.

Batalhão – Formação táctica de cavalaria, por vezes também designada por esquadrão, embora este termo se aplique com mais propriedade à infantaria. Num próximo artigo será desenvolvido este tema.

Bolsa – Coldre pendente do arção, no qual era transportada a pistola.

Carabina – Arma de fogo com fecho de pederneira usada pelos militares de cavalos arcabuzeiros (e também pelos de cavalos couraças, embora não fizesse parte da dotação regulamentar); variantes: clavina, cravina.

Cavalos – Designação genérica de qualquer militar ou unidade de cavalaria (soldado de cavalos, companhia de cavalos).

Cavalos arcabuzeirosTipo mais comum de cavalaria do exército português. Empregue no choque contra cavalaria inimiga e na escaramuça à distância com armas de fogo. Desempenhava tarefas de escolta, reconhecimento e rondas.

Cavalos couraçasTipo de cavalaria cujo emprego era reservado ao choque contra cavalaria inimiga.

“Cerra a eles!” – Ordem para a unidade se lançar a trote ou a galope contra o inimigo, iniciando o combate corpo-a-corpo. Equivalente à ordem “À carga!” de épocas posteriores.

Claro – Espaço deixado livre entre dois batalhões dispostos lado a lado.

Colete – O mesmo que coura. Peça básica de equipamento defensivo. Confeccionado em pele de anta ou de vaca, protegia o tronco e as coxas. Havia versões com mangas compridas, tornando-se assim numa casaca de couro. Também eram usados coletes e casacas em tela.

Companhia – Unidade administrativa básica na cavalaria.

Couraça – Peça de equipamento defensivo composto de peito e espalda (espaldar) de aço. No plural, designava uma companhia de cavalos couraças.

“Dar carga!” – Ordem para a unidade abrir fogo sobre o inimigo. Equivalente à ordem “Fogo!” de épocas posteriores.

Manopla – Peça de equipamento defensivo, em aço, que protegia a mão e o antebraço do cavaleiro.

Pilhante – Combatente miliciano de cavalaria pertencente a uma companhia formada voluntariamente por moradores de uma determinada localidade, para protecção dos seus gados e propriedades e para levar a cabo incursões de pilhagem em território inimigo (daí o nome). As companhias podiam ser designadas por pilhantes, de moradores ou amunicionadas.

Regimento – Unidade composta por diversas companhias. Inexistente no exército português, só se encontrava entre a cavalaria estrangeira. Era comandado por um coronel ou tenente-coronel.

Troço – Agrupamento de diversas companhias, normalmente comandado por um comissário geral.

Tropa -Termo genérico para qualquer força de cavalaria, mas frequentemente usado para referir uma companhia.

Imagem: Cavalaria do período da Guerra Civil Inglesa, semelhante à da Guerra da Restauração. O equipamento defensivo (apenas casacas de couro, excepto um elemento que usa uma couraça) é característico dos cavalos arcabuzeiros, mesmo se os cavaleiros retratados não apresentam armas de fogo (situação que era muito vulgar, também, na Guerra da Restauração). Foto do autor, Kellmarsh Hall, 2007.